quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Será que você também sofre de T.O.C. ?

Como sofro na pele com essa síndrome, resolvi pesquisar mais a respeito e divido as informações aqui com vocês.

O que é o TOC e quais são os seus sintomas?

O TOC é um transtorno mental incluído pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Psiquiátrica Americana (DSM-IV) entre os chamados transtornos de ansiedade. Manifesta-se sob a forma de alterações do comportamento (rituais ou compulsões, repetições, evitações), dos pensamentos (obsessões como dúvidas, preo¬cupações excessivas) e das emoções (medo, desconforto, aflição, culpa, depressão). Sua característica principal é a presença de obsessões: pensamentos, imagens ou impulsos que invadem a mente e que são acompanhados de ansiedade ou desconforto, e das compulsões ou rituais: comportamentos ou atos mentais voluntários e repetitivos, realizados para reduzir a aflição que acompanha as obsessões.

Dentre as obsessões mais comuns estão a preocupação excessiva com limpeza (obsessão) que é seguida de lavagens repetidas (compulsão). Um outro exemplo são as dúvidas (obsessão), que são seguidas de verificações (compulsão).

O que são obsessões?
Obsessões são pensamentos ou impulsos que invadem a mente de forma repetitiva e persistente. Podem ainda ser imagens, palavras, frases, números, músicas, etc. Sentidas como estranhas ou impróprias, as obsessões geralmente são acompanhadas de medo, angústia, culpa ou desprazer. O indivíduo, no caso do TOC, mesmo desejando ou se esforçando, não consegue afastá-las ou suprimi-las de sua mente. Apesar de serem consideradas absurdas ou ilógicas, causam ansiedade, medo, aflição ou desconforto que a pessoa tenta neutralizar realizando rituais ou compulsões, ou através de evitações (não tocar, evitar certos lugares).

As obsessões mais comuns envolvem:

• Preocupação excessiva com sujeira, germes ou contaminação
• Dúvidas
• Preocupação com simetria, exatidão, ordem, seqüência ou alinhamento
• Pensamentos, imagens ou impulsos de ferir, insultar ou agredir outras pessoas
• Pensamentos, cenas ou impulsos indesejáveis e impróprios, relacionados a sexo (comportamento sexual violento, abusar sexualmente de crianças, falar obscenidades, etc.)
• Preocupação em armazenar, poupar, guardar coisas inúteis ou economizar
• Preocupações com doenças ou com o corpo
• Religião (pecado, culpa, escrupulosidade, sacrilégios ou blasfêmias)
• Pensamentos supersticiosos: preocupação com números especiais, cores de roupa, datas e horários (podem provocar desgraças)
• Palavras, nomes, cenas ou músicas intrusivas e indesejáveis

O que são compulsões ou rituais?
Compulsões ou rituais são comportamentos ou atos mentais voluntários e repetitivos, executados em resposta a obsessões, ou em virtude de regras que devem ser seguidas rigidamente. Os exemplos mais comuns são lavar as mãos, fazer verificações, contar, repetir frases ou números, alinhar, guardar ou armazenar objetos sem utilidade, repetir perguntas, etc.

As compulsões aliviam momentaneamente a ansiedade associada às obsessões, levando o indivíduo a executá-las toda vez que sua mente é invadida por uma obsessão. Por esse motivo se diz que as compulsões têm uma relação funcional (de aliviar a aflição) com as obsessões. E, como são bem sucedidas, o indivíduo é tentado a repeti-las, em vez de enfrentar seus medos, o que acaba por perpetuá-los, tornando-se ao mesmo tempo prisioneiro dos seus rituais.

Nem sempre as compulsões têm uma conexão realística com o que desejam prevenir (p ex., alinhar os chinelos ao lado da cama antes de deitar para que não aconteça algo de ruim no dia seguinte; dar três batidas em uma pedra da calçada ao sair de casa, para que a mãe não adoeça). Nesse caso, por trás desses rituais existe um pensamento ou obsessão de conteúdo mágico, muito semelhante ao que ocorre nas superstições.

Os dois termos (compulsões e rituais) são utilizados praticamente como sinônimos, embora o termo “ritual” possa gerar alguma confusão, na medida em que praticamente todas as religiões e diversos grupos culturais adotam comportamentos ritualísticos e contagens nas suas práticas: ajoelhar-se três vezes, rezar seis ave-marias, ladainhas, rezar 3 ou 5 vezes ao dia, benzer-se ao passar diante de uma igreja.

Existem rituais para batizados, casamentos, funerais, etc. Além disso, certos costumes culturais, como a cerimônia do chá entre os japoneses, o cachimbo da paz entre os índios, ou um funeral com honras militares, envolvem ritos que lembram as compulsões do TOC. Por esse motivo, há certa preferência para o termo “compulsão” quando se fala em TOC.

Obsessões e Compulsões mais comuns
Preocupação com sujeira, contaminação, medo de contrair doenças e lavagens excessivas

Uma das obsessões mais comuns é a preocupação excessiva com sujeira ou contaminação, seguida de compulsões por limpeza, lavações excessivas e da necessidade de evitar tocar em objetos, ou de freqüentar lugares considerados sujos ou contaminados.

Manifesta-se sob diversas formas, como as relacionadas a seguir:

• Lavar as mãos inúmeras vezes ao longo do dia;
• Lavar imediatamente as roupas que tenham sido usadas fora de casa (mesmo limpas);
• Lavar as mãos imediatamente ao chegar da rua;
• Trocar excessivamente de roupa;
• Tomar banhos muito demorados, esfregando demasiadamente o sabonete;
• Usar sistematicamente o álcool para limpeza das mãos ou do corpo;
• Lavar as caixas de leite, garrafas de refrigerantes, potes de margarina, antes de guardá-los na geladeira;
• Passar o guardanapo nas louças ou talheres do restaurante antes de servir-se;
• Usar xampu, sabão, desinfetante ou detergente de forma excessiva;

Evitações
Os pacientes que têm obsessões relacionadas com sujeira ou contaminação, ou mesmo medos supersticiosos exagerados, adotam com muita freqüência comportamentos evitativos (evitações), como forma de não desencadearem suas obsessões. Esses comportamentos, se por um lado evitam ansiedades e aflições, acabam causando problemas que podem chegar a ser incapacitantes, em razão do comprometimento que acarretam à vida diária. Tais restrições são em geral impostas aos demais membros da família o que acaba inevitavelmente provocando conflitos.
Alguns exemplos de evitações comuns em portadores do TOC que têm obsessões por limpeza e medo de contaminação:
• Não tocar em trincos de portas, corrimãos de escadas ou de ônibus; não tocar nas portas, nas tampas de vasos, descargas ou torneiras de banheiros (ou usar um lenço ou papel para tocá-los);
• Isolar compartimentos e impedir o acesso dos familiares quando estes chegam da rua; obrigá-los a tirar os sapatos, trocar de roupas, lavar as mãos ou tomar um banho quando chegam da rua;
• Restringir o contato com sofás (cobri-los com lençóis, não sentar com a roupa da rua ou com o pijama);
• Não sentar em bancos de praça ou de coletivos;
• Não encostar roupas usadas “contaminadas”, nas roupas “limpas” dentro do guarda-roupa;
• Evitar sentar em salas de espera de clínicas ou hospitais (principalmente em lugares especializados em câncer ou AIDS);
• Não usar talheres de restaurantes ou de outras pessoas da família;
• Não usar telefones públicos;
• Não cumprimentar determinadas pessoas (mendigos, aidéticos, pessoas com câncer, etc.);
• Não utilizar banheiros que não sejam os da própria casa;
• Evitar pisar no tapete ou piso do banheiro em casa ou no escritório;
• Não freqüentar piscinas coletivas ou tomar banhos no mar.

Na verdade, a preocupação com sujeira, germes, doenças e contaminação é o tema dominante nos pensamentos e preocupações dessas pessoas. Elas os transformam em cuidados e precauções excessivas e impõem esses cuidados aos demais membros da família. Uma paciente, por exemplo, obrigava seus familiares a trocarem a roupa ou os sapatos para entrar em casa; outra obrigava o marido a tomar um banho imediatamente antes das relações sexuais; uma terceira obrigava o marido a lavar a boca antes de lhe dar um beijo ao chegar da rua e ainda uma outra exigia que seu filho de dois anos usasse luvas para abrir a porta. Essas exigências causavam conflitos constantes, o que comprometia a harmonia conjugal e familiar.


Nojo ou repugnância

Nem sempre as evitações estão necessariamente associadas ao receio de contrair doenças ou ao medo de contaminação por germes ou pesticidas. Alguns pacientes referem que evitam tocar em certos objetos, apenas por nojo ou repugnância: por exemplo, tocar em carne, gelatina, colas, urina, sêmen, sem que necessariamente tenham medo de contrair alguma doença específica, ou que passe pela sua cabeça algum pensamento catastrófico específico. O interessante é que esses sintomas também podem desaparecer com o mesmo tratamento – a terapia de exposição e prevenção de rituais utilizada para o tratamento dos demais sintomas do TOC.

Dúvidas, medo de falhar e necessidade de fazer verificações
Uma das preocupações mais comuns no TOC relaciona-se com a possibilidade de falhar e, em conseqüência, ocorrer algum desastre ou dano (a casa incendiar, inundar ou ser arrombada). Tal preocupação se manifesta sob a forma de dúvidas, necessidade de ter certeza ou intolerância à incerteza, as quais, por sua vez, levam a pessoa a realizar verificações ou repetições como forma de ter certeza e aliviar-se da aflição.

Quando o sofrimento associado à dúvida é grande, alguns portadores do TOC simplesmente se esquivam de situações de responsabilidade. Preferem não sentir a necessidade de realizar verificações, evitando, por exemplo, sair por último do local do trabalho, não sendo, assim, responsáveis por desligar os equipamentos ou por fechar as portas.

Acredita-se que certas características pessoais, como um senso exagerado de responsabilidade e conseqüentemente medo de cometer falhas, dificuldade de conviver com incertezas, como comentamos, e um elevado nível de exigência (perfeccionismo) desempenham um papel importante no surgimento e na manutenção das obsessões de dúvida e da necessidade de executar verificações.

As verificações são geralmente precedidas por dúvidas e preocupações com falhas e se destinam a eliminá-las.

As verificações devem ser consideradas sintomas de TOC quando repetidas ou quando o indivíduo sente grande aflição caso seja impedido de executá-las. As situações mais críticas, nas quais o impulso de realizá-las é mais intenso são: a hora de sair de casa, antes de deitar, ao estacionar o carro e ao sair do trabalho.

As verificações mais comuns estão listadas a seguir:

• Portas e janelas antes de deitar ou ao sair de casa;
• Eletrodomésticos (ferro de passar, fogão, chapinha de alisar os cabelos, TV), gás, geladeira etc;
• Se as torneiras estão bem fechadas, seguido da necessidade de apertá-la (às vezes de forma demasiada, a ponto de quebrá-la) ou de passar a mão por baixo para se certificar de que não está saindo nenhuma gota de água;
• Acender e apagar novamente lâmpadas apagadas; ligar e desligar o celular ou a TV de novo, com receio de que não tenham ficado “bem” desligados;
• A bolsa ou a carteira, para certificar-se que não faltam documentos, chaves, etc.;
• Se atropelou ou não com o carro alguém que passava na calçada ou ao lado, seguida da necessidade de verificar no espelho retrovisor ou até mesmo de refazer o trajeto para certificar-se de que o fato não ocorreu;
• Se as portas e os vidros do carro ficaram bem fechados, testando cada uma delas mesmo vendo que os pinos de segurança estão abaixados.

É comum que, além de fazer verificações repetidas, os pacientes toquem com as mãos ou olhem demoradamente os objetos (botões do fogão, torneira do gás, portas da geladeira, lâmpadas). Esses comportamentos não deixam de ser formas sutis de verificação e de eliminação de dúvidas.

As compulsões associadas a dúvidas também podem ser mentais, como reler várias vezes um texto ou parágrafo e recitá-lo mentalmente para ver se foi memorizado corretamente, visualizar repetidamente uma mesma cena ou, ainda, repetir mentalmente uma conversa para garantir que nenhum detalhe tenha sido esquecido, revisar várias vezes um cheque assinado para que não contenha nenhum erro, revisar repetidamente listas para que nada seja esquecido, etc.

No seriado de televisão Monk, o protagonista é um ex-policial que tenta retomar a carreira solucionando os crimes mais misteriosos, enquanto tenta conviver com suas manias e obsessões. De forma divertida, Monk passa pelas mais absurdas aventuras para enfrentar seu medo excessivo de altura ou de se contaminar por germes. Ele sofre de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

Mas, para pelo 2% da população mundial, o tema não é nada engraçado. Tanto que a Universidade de Brasília (UnB) abriu inscrições para o tratamento da doença, na última quarta-feira, e cerca de 50 pessoas se interessaram.

O TOC é o quarto transtorno psiquiátrico mais comum no mundo. Perde apenas para a depressão, a dependência química e as fobias. Famosos, como o cantor Roberto Carlos, já foram verdadeiros prisioneiros dos rituais que se obrigavam a realizar. O "Rei" chegou a ficar anos sem cantar a canção Quero que vá tudo para o inferno e até hoje não veste marrom.

Fontes:
Site da UFRGS
Site clicabrasilia

Famosos também sofrem de TOC:
Charles Darwin (ele mesmo), David Beckham, Alec Baldwin, Justin Timberlake , Cameron Diaz, Roberto Carlos, Luciana Vendramini.

6 comentários

Unknown disse...

Olá Márcio,
verifiquei uma a uma por 5 vezes e me certifiquei que não possua nenhuma destas manias. Portanto não tenho TOC, mas para ter certeza vou verificar mais umas 5 vezes. hehehe
Brincadeirinha tenho algumas pequenas manias mas não chegam a tanto, mas achei muito explicativa sua matéria e também não conhecia TOC.
Abraços

Criativo de Galochas disse...

Bem interessante.
Saudações
Marcus, Criativo de Galochas

Anônimo disse...

Eu preciso desenvolver TOC para combater meu TDAH.

Como tenho hábito de esquecer as coisas, fico olhando a agenda direto. É uma estratégia boa.

Anônimo disse...

Márcio,

Várias características que você mencionou do TOC se aplicam perfeitamente a pessoas que sofrem de gagueira. A gagueira que os terapeutas chamam de gagueira do desenvolvimento ou PDS (do inglês Persistent Developmental Stuttering) poder ser na verdade um sintoma de um subtipo de TOC.

Considerando que a gagueira pode ser aliviada através dos mesmos medicamentos que têm efeito documentado sobre o TOC;

Considerando as características obsessivas do distúrbio, a forma intrusiva como a preocupação de não gaguejar invade e domina a mente;

Considerando a possibilidade de conseguir pronunciar sem dificuldade as mesmas palavras que haviam provocado disfluência quando a preocupação obsessiva é reduzida;

Considerando que boa parte das pessoas que sofrem de gagueira também têm comportamentos de natureza obsessiva (eu por exemplo tenho vários);

E, por fim, considerando que as pesquisas sobre gagueira vêm mostrando através de exames de neuroimagem que as anormalidades na atividade cerebral de indivíduos gagos lembram bastante as anormalidades verificadas em casos de TOC (anormalidades na atividade dos núcleos da base);

Considerando tudo isso, chega-se à inescapável conclusão de que gagueira e TOC podem ser distúrbios intimamente relacionados, e é preocupante que este fato esteja sendo subestimado por médicos e terapeutas. Diante das evidências disponíveis, essa inter-relação jamais deveria ser menosprezada pelos profissionais que tratam o distúrbio.

Talvez a gagueira seja justamente isso: uma espécie de TOC da fala.

Anônimo disse...

Hunm! sei não, acho que tenho isso,hein!
Eu só não tenho certas manias, ligadas a higiene obssessiva.

Abraços!

Unknown disse...

eu tenho comcerteza!

coisas que não faço:

nao aperto a mão de estranhos, não pego em portas de banco, não pego em macaneta de banheiros públicos, tenho nojo de suor (por minimo que seja).

mas não tenho frescura com poeira nem me preocupo em lavar as mãos.

pra ser sincero, eu vivo com a mão dentro das calças e nunca lembro de lavas! hauhauahuah

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